
Microbioma vaginal e infecções vaginais de difícil tratamento
O microbioma vaginal refere-se à comunidade de microrganismos (principalmente bactérias) que vivem na vagina. Ele desempenha um papel crucial na manutenção da saúde vaginal, na proteção contra infecções e no apoio à saúde reprodutiva.
A microbiota vaginal deve ser dominada por espécies de Lactobacillus (por exemplo, L. crispatus, L. jensenii, L. iners), que produzem ácido lático, reduzindo o pH vaginal para < 4,5, inibem o crescimento de patógenos pela produção de peptídeos antimicrobianos e peróxido de hidrogênio, além de corroborar com a robustez da imunidade da mucosa.
Quando o microbioma vaginal é desestruturado, isto pode levar a um estado denominado disbiose e, em consequência, possibilitar várias infecções de difícil tratamento, como a candidíase vulvovaginal recorrente, vaginite aeróbica, tricomoníase e, principalmente, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
A vaginose bacteriana é um crescimento excessivo de anaeróbios (p. ex., Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae), declínio de Lactobacillus e formação de biofilme resistente a antibióticos, mostrando alta recorrência (~50%) em 6 meses.
A candidíase vulvovaginal recorrente é causada por crescimento excessivo de Cândida albicans ou C. glabrata e, finalmente, a vaginite aeróbica causada por um desequilíbrio com o crescimento de patógenos aeróbicos (p. ex., E. coli, Streptococcus agalactiae) que requerem antibióticos e anti-inflamatórios direcionados.
Os desafios no tratamento do microbioma vaginal são baseados na resistência a antibióticos e na quebra do biofilme. A formação de biofilmes protege os microrganismos contra antibióticos e ação inflamatória local. Normalmente, na recomposição do microbioma vaginal, é necessário o uso de disruptores de biofilme, como ácido bórico ou ácido láurico.
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Referências
Ravel J. et al., PNAS, 2011 – Tipos de estados comunitários do microbioma vaginal
Ma B. et al., Nat Rev Microbiol, 2020 – Microbiota vaginal e saúde reprodutiva
Swidsinski A. et al., J Clin Microbiol, 2008 – Biofilme em BV